IMPÉRIO SEM FIM

Desorientação física e temporal. A falsa recompensa da conectividade ilimitada. Fruto da existência no limiar da percepção. Momento fugaz entre o espectral das telas e a finitude do mundo. A lenta passagem ao vazio. Vácuo neutro de baixa intensidade afetiva. Neutralização por entorpecimento voluntário. 
Quando a fuga da monotonia do mundo já não necessita de hora ou lugar marcado, a atenção passa ser a moeda da vez no capitalismo tardio, colhida ininterrupta e sorrateiramente graças à onipresença das telas. Porém, a opção pelo isolamento fantasmagórico tem seu preço, solicitado no sacrifício dos últimos refúgios da liberdade individual: o devaneio e o sono.
A neutralização gradativa dos indivíduos e de sua sociabilidade, põe, também, em risco de desaparecimento iminente as cidades em que habitam. Especialmente as brasileiras. Muitas já vem apagando sistematicamente a si mesmas ao privilegiar o monumental, destruindo o que já existe em busca da construção de um ideal de identidade nacional, o qual, entretanto, nunca é alcançado, pois a própria história é negado no processo que supostamente a deveria valorizar.
Indo mais além, enquanto  monumento é valorizado pela passagem do tempo, a cidade contemporânea tem pressa: já nasce em ruínas. Ao impor sua velocidade e fluidez às transformações urbanas, o capital eletrônico especulativo acelera os ciclos de criação e destruição que agem sobre o território.Resultando na produção de não lugares, espaços descartáveis, roubados de tempo, peso e significado, nos quais qualquer forma de sociabilidade que ultrapasse o interesse individual está condenada ao esquecimento.
Sitiado tanto pelo lado material quanto imaterial, o mundo que nos cerca gradativamente perde a relevância de sua existência, restando apenas o sentimento de impotência perante a imensidão do labirinto sem fim.
Back to Top